A John Doe's Blog

Controlar o Controlo

A frágil noção de controlo.

O erro mais comum nos humanos é o pensarem ter o controlo. Este erro aplica-se em todas as noções.

Simples caso: fecha-se uma criança numa sala com um bibelô de vidro e proíbem-na de lhe tocar, ora ameaçando-a de lhe bater ora prometendo recompensas.

Conclusão, o bibelô sai partido e a criança apanha, ou o bibelô sai intacto e a criança habitua-se a pedir algo em troca. Negativo.

Solução a meu ver: abrimos a casa à criança incutindo-lhe mais responsabilidade e ao mesmo tempo nem referimos o bibelô de vidro. A criança tem liberdade e nem repara no bibelô de vidro pois está entretida a passear-se pela casa, se partir algo a responsabilidade ser-lhe-á incutida e ouvirá um raspanete.

Conclusão, a criança crescerá.

Casos mais complexos:
- O aborto. Sou contra o aborto, nunca conseguiria optar por tal solução, seria contra a minha maneira de ser. Mas, sou a favor da legalização do mesmo. E espero que quando esta matéria for a votos, como está previsto, as pessoas leiam o boletim e entendam que a pergunta é "É a favor da legalização do Aborto" e não "É a favor do Aborto".

Apesar de eu ser contra o aborto eu sei que ele existe. Tal como Aldous Huxley sabiamente disse "Os factos não deixam de existir só por serem ignorados".

E não podemos ignorar o número abismal de mulheres que entraram de urgência nos Hospitais Portugueses devido a interrupções voluntárias da gravidez levadas a cabo ilegalmente e em condições sub-humanas, enquanto as "tias" Católicas vão pela Europa fazer abortos em clínicas de luxo como turismo.

Agora questionam "Mas assim não aumentariam o número de abortos?".

Olhando para outros modelos governativos e pensando ponderadamente no assunto a resposta é negativa.

A questão passa pelas mulheres fazerem a interrupção voluntária da gravidez em Hospitais e nestas condições serem acompanhadas por um médico, e um assistente psicólogo.

A questão está que nestas condições muitas das mulheres que recorrem ao aborto a serem acompanhadas por pessoas que não ganhariam nada com esta solução poderiam ajudar as mulheres a verem outro lado desta solução e em muitos dos casos a demove-las desta ideia.

E ao menos não veríamos mulheres passar por um trauma tão grande desamparadas e acabar em Hospitais com infecções e outras complicações físicas e, também, psicológicas.

Em pleno Século XXI tenho pena de ver órgãos tratar estas questões de forma tão leviana e refugiando-se em ideias religiosas para fugirem ao dialogo não sou comunista mas uma coisa é Governo outra é religião.

Aproveito, apesar de não ser católico, para fazer uma vénia ao Papa João Paulo II mas um dos erros dele foi exactamente o trazer a discussão do uso do preservativo para o seio da sua comunidade religiosa e ainda para mais dar-lhe um tratamento no ângulo de infidelidade e contraceptivo.

A questão é simples, a SIDA existe e não só na infidelidade e se o método contraceptivo é tido como negativo o que será dito da pílula? Não digo que seja fácil a Igreja falar abertamente de preservativos, digo que deviam ter-se remetido ao silêncio.

- Estupefacientes. Eu bebo álcool e fumo. Já experimentei haxixe mas não achei relevante como não me entra na cabeça o uso recorrente dessa droga e muito menos de drogas mais pesadas.

A minha resposta é...legalizem. Ao invés de terem toxicodependentes a drogarem-se nas ruas em frente dos "nossos" filhos, a roubarem para ir comprarem droga a alguém que enriquece à sua conta e a irem presos enquanto traficantes passeiam-se e famosos vão para discotecas de luxo drogarem-se teríamos clínicas e não falo em fornecimento gratuito de drogas. Falo em usar esses membros da nossa sociedade, sim aceitem o facto de que eles fazem parte da nossa sociedade, para trabalhos sociais e para acompanhamento médico e a partir de um momento a possibilidade de desintoxicação.

Novamente remeto para outros governos o teste positivo deste tipo de politica.

Agora, tanto num exemplo como no outro (e podia ter dado outros pensem por exemplo na prostituição) há uma ideia a ter em conta. Vejamos a lei de limite de velocidade em auto-estradas em alguns países da Europa...ela não existe e os acidentes são em menor número.

Evidente que se tal passasse em Portugal os acidentes aumentavam. Em primeiro lugar por causa da qualidade das auto-estradas em segundo lugar pela mentalidade dos Portugueses.

Quero dizer, têm que se criar condições para se ter este tipo de solução e antes de mais "moldar" a sociedade de forma a conseguir absorver este tipo de mudanças.

O controlo nunca se pode ter como dado adquirido. Após se ganhar o mesmo tem de estar sempre em manutenção. Os problemas da sociedade não desaparecem quando fechamos os olhos e os remetemos para lados escuros. Retirem os véus que tapam as paredes esburacas da nossa sociedade, arregacem as mangas e trabalhem sobre elas.

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