Despertar que não é acordar!
Arrasto-me do meu leito até ao chuveiro, as gotas de água a tocar na minha face e a escorrer pelo meu corpo lavam a dormência do meu corpo e acordam os meus sentidos à aparente realidade. O acordar!
Sento-me a ver o noticiário, olha para a janela do meu vizinho mundo. Retiro o meu primeiro cigarro de entre os últimos que sobejam do dia anterior e acendo-o.
O tabaco estala enquanto inalo o fumo para o meu interior, nem penso no mal que me pode fazer pois a caixa de horrores mostra-me males desmedidamente piores.
O prazer do cigarro acaba com a última nuvem de fumo que vai-se emancipando no ar e o esmagar da beata no meio da cinza e resquícios de cigarros fumados.
Depois de me alimentar saio para o mundo exterior, agora fisicamente. O contacto começa gradualmente.
Entro no café mesmo ao fundo da minha rua. No máximo só estarei com meia dúzia de pessoas e falarei a apenas três, trivialidades do costume servirão para preencher o silêncio que me é preferível.
Próxima estação, os transportes. Comboio e metro, um aglomerado de pessoas enclausuradas em carruagens de metal que os transportam de local em local, onde em cada paragem entram e saem pessoas como gado encaminhado do curral para as pastagens e das pastagens para o curral.
Aqui nunca tomarei verdadeiro contacto com as pessoas, posso aproveitar para ler um jornal, um livro, ouvir a música ou simplesmente ver a paisagem. Odeio quando as pessoas metem mais trivialidades e temos de as aturar durante a viagem fingindo interesse, se me interpelam prefiro lançar um seco "pois, pois".
Cheguei ao trabalho, durante o dia passarão por mim uma centena de pessoas, duas dezenas falarão comigo. Novamente trivialidades que me aborrecem de morte. Pelo meio apanharei algo de verdadeiro interesse.
Começa-me a causar algum constrangimento aguentar algumas banalidades, chega-me a dar náuseas, por vezes apetece-me vomitar para cima da pessoa para ver se cala.
No fim voltarei de volta para o meu lar, passando novamente pelos vagões infernais do transporte bovino. Falarei novamente com algumas pessoas pela internet, mas nunca por muito tempo.
Irónico. Gosto de ler, gosto de escrever e adoro comunicar com pessoas interessante, e é evidente que só falo com quem realmente me apetece na internet. Mas, não gosto de comunicar em tempo real recorrendo à escrita.
Depois, abro o maço amarrotado onde restam três cigarros e passam a sobrar dois. O outro brilha incandescente no negro que cerra a sala onde só o ecrã do computador gera alguma luz.
Finalmente deito-me. O cansaço assola-me os braços as pernas, dói-me tudo. O cansaço faz com que sinta algo que cresce e quer sair do meu corpo. Todo ele incha, parecendo pequeno demais paras as minhas entranhas.
Talvez a alma queira explodir e gritar liberdade, talvez seja o cansaço deste quotidiano. Talvez não. Talvez seja apenas o meu inconformismo, a minha busca por algo de diferente. Novamente a mudança, novamente o inconformismo.
Talvez...
Uma coisa é certa, amanha é um dia novo e, por mais antagónico que possa parecer com o texto, diferente.
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Sento-me a ver o noticiário, olha para a janela do meu vizinho mundo. Retiro o meu primeiro cigarro de entre os últimos que sobejam do dia anterior e acendo-o.
O tabaco estala enquanto inalo o fumo para o meu interior, nem penso no mal que me pode fazer pois a caixa de horrores mostra-me males desmedidamente piores.
O prazer do cigarro acaba com a última nuvem de fumo que vai-se emancipando no ar e o esmagar da beata no meio da cinza e resquícios de cigarros fumados.
Depois de me alimentar saio para o mundo exterior, agora fisicamente. O contacto começa gradualmente.
Entro no café mesmo ao fundo da minha rua. No máximo só estarei com meia dúzia de pessoas e falarei a apenas três, trivialidades do costume servirão para preencher o silêncio que me é preferível.
Próxima estação, os transportes. Comboio e metro, um aglomerado de pessoas enclausuradas em carruagens de metal que os transportam de local em local, onde em cada paragem entram e saem pessoas como gado encaminhado do curral para as pastagens e das pastagens para o curral.
Aqui nunca tomarei verdadeiro contacto com as pessoas, posso aproveitar para ler um jornal, um livro, ouvir a música ou simplesmente ver a paisagem. Odeio quando as pessoas metem mais trivialidades e temos de as aturar durante a viagem fingindo interesse, se me interpelam prefiro lançar um seco "pois, pois".
Cheguei ao trabalho, durante o dia passarão por mim uma centena de pessoas, duas dezenas falarão comigo. Novamente trivialidades que me aborrecem de morte. Pelo meio apanharei algo de verdadeiro interesse.
Começa-me a causar algum constrangimento aguentar algumas banalidades, chega-me a dar náuseas, por vezes apetece-me vomitar para cima da pessoa para ver se cala.
No fim voltarei de volta para o meu lar, passando novamente pelos vagões infernais do transporte bovino. Falarei novamente com algumas pessoas pela internet, mas nunca por muito tempo.
Irónico. Gosto de ler, gosto de escrever e adoro comunicar com pessoas interessante, e é evidente que só falo com quem realmente me apetece na internet. Mas, não gosto de comunicar em tempo real recorrendo à escrita.
Depois, abro o maço amarrotado onde restam três cigarros e passam a sobrar dois. O outro brilha incandescente no negro que cerra a sala onde só o ecrã do computador gera alguma luz.
Finalmente deito-me. O cansaço assola-me os braços as pernas, dói-me tudo. O cansaço faz com que sinta algo que cresce e quer sair do meu corpo. Todo ele incha, parecendo pequeno demais paras as minhas entranhas.
Talvez a alma queira explodir e gritar liberdade, talvez seja o cansaço deste quotidiano. Talvez não. Talvez seja apenas o meu inconformismo, a minha busca por algo de diferente. Novamente a mudança, novamente o inconformismo.
Talvez...
Uma coisa é certa, amanha é um dia novo e, por mais antagónico que possa parecer com o texto, diferente.
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